Passageiros


Vez ou outra eu costumo pensar sobre o que me agrada nos filmes que vejo. É difícil definir exatamente, uma vez que existe uma infinidade de coisas que podem ser feitas e várias possibilidades de conexões entre acontecimentos que podem fazer um filme dar certo, desde que funcionem e sejam justificadas. Infelizmente, Passageiros passa longe da maioria dessas coisas.

Escrito por Jon Spaihts e dirigido por Morten Tyldum, o filme é estrelado por Jennifer Lawrence, Chris Pratt, Michael Sheen e Laurence Fishburne (todos atores com fala foram listados). A música é de Thomas Newman, a fotografia é dirigida por Rodrigo Prieto e a direção de arte fica por conta de Guy Hendrix Dyas.

A premissa é interessantíssima e abre várias possibilidades. A ideia de acordar 90 anos antes de chegar ao destino, completamente sozinho em uma nave no meio do espaço abre chance não só para dramas existenciais como até mesmo para filmes de terror. A questão é que, mesmo que a ideia do filme seja algo que promete muito, o maior esforço empreendido na obra é o de criar um produto vazio e esquecível.

Antecipando a decepção, tanto do texto, quanto do filme, quero começar logo dizendo que o Passageiros vendido pelo trailer é totalmente diferente do filme que de fato existe. Além disso, esqueça aquela frase que diz "existe um motivo para estarmos acordada" que é apresentada no material promocional. Não existe um motivo conspiratório e nem sequer a discussão sobre qualquer tipo de Força Maior que os tenha acordado. A situação acontece por puro acaso e você vai se decepcionar de forma absurda se for esperando algo que não seja isso.

Além disso, é difícil dizer que as sequências de ação (estilo que parece tomar conta, visto que o filme se torna basicamente uma ficção científica de ação por não conseguir ser um thriller) são empolgantes. São só coisas acontecendo na tela, sem qualquer tipo de envolvimento emocional proposto. É ruído. Aliás, não satisfeito por ainda manter qualquer tipo de esperança de melhora, ainda aposta na figura do Machão Salvador (com uma recompensa que muitos dirão que justifica, mas que todos sabemos que não).

Não satisfeito, o filme ainda acaba criando ainda mais expectativas, como se as decepções que já existem não fossem suficientes: ao abordar uma ação do protagonista que pode ser interpretada como um tipo de assédio, um abuso sobre o corpo e a vida da personagem de Jennifer Lawrence, abre espaço para discussões interessantes sobre o tema. É claro que, logo após tratar como um problema, decide mudar de tom e continuar como se nada houvesse acontecido.

Além de alguns raros momentos de apreciação verdadeira, o ápice de Passageiros é o momento em que as letras começam a subir.
Compartilhe no Google Plus