
SINOPSE
Baseado no livro homônimo de J.K. Rowling. O excêntrico magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) chega à cidade de Nova York com sua maleta, um objeto mágico onde ele carrega uma coleção de fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte-america que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam saindo da sua maleta.

Desde o anúncio de que Animais Fantásticos e Onde Habitam seria adaptado para os cinemas, eu senti uma mistura de animação e dúvidas. O livro em que o filme é inspirado se trata de um guia de 63 dos animais encontrados no mundo bruxo. Por outro lado, com a J.K. Rowling responsável pelo roteiro, parecia quase certo que a história fosse interessante e se encaixasse bem dentro do universo de Harry Potter. Com o passar dos dias, minha empolgação foi crescendo e, sendo sincera, quando as luzes se apagaram e o logo da Warner apareceu acompanhado pelas primeiras notas de Hedwig's Theme, senti mais uma vez aquele sentimento que só um filme novo de Harry Potter traz – sensação que todo fã consegue compreender. Duas horas e doze minutos depois, saí da sala de cinema satisfeita da mesma forma que saí em 2001 da minha primeira sessão de Harry Potter. Animais Fantásticos, que tanto me enchera de dúvidas, conseguiu me agradar (e acredito que a todos os que estavam naquela sala de cinema).
O filme é um spin-off de Harry Potter e, apesar de algumas referências ao mundo mágico, seu enredo independe dos oito filmes da saga. Conta com Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Alison Sudol, Colin Farrell e Ezra Miller no elenco. A direção fica a cargo de David Yates, diretor de Harry Potter desde A Ordem da Fênix, e o roteiro é de J.K. Rowling, que também participa como uma dos produtores do filme.
A direção de Yates já é uma velha conhecida e mantém o nível dos quatro últimos filmes . As atuações não deixam a desejar, com um destaque a Eddie Redmayne. Pessoalmente, não estava confiante com sua atuação, acho o ator um tanto exagerado. Porém fui (muito) surpreendida. Redmayne entrega um Newt Scamander bastante carismático - talvez seja mais fácil gostar dele do que foi gostar do próprio Harry.

Rowling, em sua primeira experiência como roteirista, consegue criar uma história interessante, que funciona bem em tela e agrada o espectador. Ao contrário do que aconteceu com a peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, Animais Fantásticos e Onde Habitam consegue capturar a mesma atmosfera dos sete livros e oito filmes previamente lançados, dando a sensação de unidade nas obras, mesmo que este longa ganhe novos ares por se passar na América e contar com personagens adultos.
Pode-se falar qualquer coisa sobre a autora, mas ela sabe contar uma história de um jeito único - e isso ficou claro nesse roteiro. Rowling, mais uma vez, consegue falar sobre temas como abuso doméstico, opressão, medo e até mesmo morte sem criar uma história pesada e difícil de ser acompanhada. As surpresas de enredo, ainda que razoavelmente previsíveis, conseguem arrancar um ou dois "AAAH" do público (e, de fato, alguns desses sons foram audíveis na sala de cinema).
A fotografia e os efeitos visuais são muito bons. Recria uma Nova Iorque dos anos 20 que combina com a ideia que fazemos da época. O 3D funciona de forma natural durante o filme. As cores vão se escurecendo aos poucos, na medida em que a história vai se tornando sombria. E os animais são todos muito bem feitos. Se encaixam bem nas cenas e, por vezes, até esquecemos que são totalmente irreais. Além disso, minhas duas criaturas mágicas preferidas (que foram suprimidas nas adaptações cinematográficas) não só aparecem, como ganham bastante tempo em tela – uma surpresa muito agradável para esta fã.

Por fim, é preciso falar sobre o Johnny Depp, uma adição ao elenco anunciada recentemente e que causou um burburinho incômodo para a produção, devido ao caso de agressão doméstica com o qual o ator esteve envolvido. Ao sair da sessão, todos os meus amigos me perguntaram sobre sua atuação e se foi possível esquecer o homem Depp para focar no personagem Grindelwald. A verdade é que sua aparição é tão curta (como David Yates já avisou que seria) que ainda é impossível saber qualquer coisa. Só podemos esperar o próximo filme.
Animais Fantásticos e Onde Habitam superou todas as minhas expectativas e fez minhas dúvidas parecerem sem sentido. É um filme muito bom que agrada novos e velhos fãs. E, mais que isso, é a retomada de um fenômeno literário e cinematográfico. Ainda que muitos digam ser uma obra caça-níquel por parte de Rowling e dos estúdios Warner, o resultado é mais que satisfatório. Honestamente, da minha parte, tanto a Warner quanto a J.K. podem ter todo o dinheiro que quiserem.
