
SINOPSE
Judy Hopps é a pequena coelha de uma fazenda isolada, filha de agricultores que plantam cenouras há décadas. Mas ela tem sonhos maiores: pretende se mudar para a cidade grande, Zootopia, onde todas as espécies de animais convivem em harmonia, na intenção de se tornar a primeira coelha policial. Judy enfrenta o preconceito e as manipulações dos outros animais, mas conta com a ajuda inesperada da raposa Nick Wilde, conhecida por sua malícia e suas infrações. A inesperada dupla se dedica à busca de um animal desaparecido, descobrindo uma conspiração que afeta toda a cidade.

"No mundo de Zootopia os humanos nunca surgiram. O que faz de Zootopia um mundo moderno e civilizado."
Os criativos da Disney adoram brincar com deliciosos "e se...". Eu consigo imaginar a cena em que depois de muita conversa em uma sala de reuniões qualquer, alguém lança um: "e se os humanos nunca tivessem existido e os animais fossem civilizados?". Todos nós sabemos que viver em sociedade é necessário, mas gera uma série de problemas; no caso dos animais, quais seriam as principais adversidades? É possível passar muito tempo pensando nisso.
Zootopia: Essa Cidade é o Bicho (Zootopia) inicialmente brinca com estes pensamentos se aproveitando do óbvio, por meio de estereótipos. O que o animal representa acaba fazendo parte de sua personalidade e seu lugar na sociedade. O leão, por exemplo, é forte e eloquente, assumindo o cargo de prefeito da cidade; enquanto o bicho-preguiça, lento e tranquilo, trabalha em um órgão público, sem pressa e sem pressão; os ratos, por sua vez, precisam morar em lugares afastados, por seus tamanhos reduzidos.
É claro que até aí é apenas um reflexo da nossa sociedade, e como tal, a história gira em torno de uma personagem que representa uma minoria lutando por direito iguais. Judy é a primeira coelha que consegue se tornar uma policial e para isso, tem que seguir contra o julgamento da família e a não aceitação do próprio sistema social. Muitos filmes da Disney dizem que "você pode ser o que quiser", mas Zootopia, provavelmente, é o que mais se aproxima de uma realidade palpável.

Já um segundo momento da trama conta com elementos mais criativos: imagina-se que o maior problema de uma sociedade animal seria a perda da consciência civilizada e a volta dos instintos primitivos, onde os animais seriam novamente selvagens, assim como os conhecemos.
O filme é dirigido por Byron Howard (Bolt) e Rich Moore (Detona Ralph), que também auxiliaram Phil Johnston (Detona Ralph) no roteiro. Michael Giacchino (Jurassic World) é o responsável pela trilha sonora. Na versão brasileira, Monica Iozzi e Rodrigo Lombardi dublam os personagens principais, ambos realizam um ótimo trabalho. Ricardo Boechat fez uma participação especial dublando um âncora de telejornal criado especialmente para o nosso país.
Diferente de grandes clássicos da Pixar, sendo Divertida Mente o mais atual, o roteiro não chega a ser fantástico. Ao invés de atingir equilíbrio como uma produção que agrada adultos e crianças, Zootopia parece ser dividido em momentos (quase bobos) pensados para divertir apenas os mais novos e em cenas feitas quase que exclusivamente para os mais velhos, com referências claras a O Poderoso Chefão e até mesmo a Breaking Bad. A jornada dos protagonistas é clichê em alguns pontos e bastante linear, mas já é o esperado: filmes da Disney Animation Studios costumam ser mais infantis do que produções da Disney Pixar.

Por outro lado, o universo do Zootopia é construído de uma maneira fascinante. Os detalhes de como a metrópole funciona para cada grupo específico e ao mesmo tempo para o todo, desperta um desejo de deixar os personagens principais de lado, por um momento, e sair em exploração. Todo o capricho da equipe com o design, tanto de itens inanimados quanto dos próprios animais, entrega uma obra visualmente interessante, daquelas que você percebe um novo detalhe a cada vez que assiste.
O carisma da maior parte dos personagens é outro fator que ajuda o espectador a se conectar com a história. Judy e Nick fazem um ótimo contraponto, brincando com aquela antiga ideia de que os opostos se atraem. De uma lado temos uma agitada coelha que anseia fazer parte da luta por um mundo melhor. Do outro, uma raposa tranquila e pilantra que quer apenas ganhar a vida sem muitas dificuldades. Ambos são cativantes, cada qual com méritos e defeitos próprios.
Enfim, Zootopia é uma maneira que a Disney encontrou de divertir e ao mesmo iniciar uma discussão importante, entre os mais jovens, sobre diversidade social, preconceitos e superação. Obras desse tipo são interessantes para que as futuras gerações aprendam a ser cada vez mais tolerantes com o próximo, ao mesmo tempo que os incentiva a lutar pelos seus sonhos.
