
SINOPSE
Dentro do mundo de Salt and Sanctuary, o personagem inicia a jornada como um náufrago que, ao chegar numa ilha desconhecida, se vê envolto por vários mistérios que rodeiam estruturas desgastadas e santuários enigmáticos.

Começo esse texto com a seguinte pergunta; o que te atrai em videogames? É a diversão e entretenimento ou o desafio e a superação? Aviso, já de antemão, que não existe uma resposta correta, mas independentemente da sua preferência, existe Salt and Sanctuary.
Pode parecer que existe certo exagero na afirmação anterior e, de fato, há. Salt and Sanctuary é um jogo que funciona bem de determinadas maneiras e em um cenário apropriado: o cooperativo local. Dessa forma, já aviso que esse texto aborda o jogo com esse olhar e que, do seu jeitinho, é bem divertido e desafiante.
Desenvolvido pelo período de três anos por um casal (James Silva e Michelle Silva), Salt and Sanctuary é o décimo jogo da Ska Studios. Lançado para a plataforma Playstation 4 em 15 de março, o jogo também tem previsão de lançamento para PC-Steam e Playstation Vita ainda em 2016.

Basicamente traduzido em uma versão 2D da série Dark Souls, Salt and Sanctuary se utiliza de várias mecânicas que existem nos jogos da aclamada franquia, tanto que foi encaixado no recente subgênero “SoulsLike”. Porém, sabendo disso, não se deixe assustar ou tomar conclusões precipitadas, pois o toque diferencial de Salt and Sanctuary é o já citado modo cooperativo, uma vez que este possibilita que o jogador divida toda a experiência e dificuldade com outra pessoa, tornando o jogo menos assustador (embora igualmente desafiante).
Do começo ao fim, as conquistas se transformam em parte da diversão e, como em alguns jogos que também são tidos como “jogos de galera” (Castle Crashers, Magicka, Scott Pilgrim vs. the World: The Game e até o clássico Disney Magical Quest), Salt and Sanctuary se beneficia dessa união para conquistar os jogadores. Durante as quase 18 horas que levei para concluir o jogo, me vi compartilhando estratégias e dividindo muitas descobertas, algo que é bastante semelhante nos jogos citados acima. Porém, com Salt and Sanctuary, há a profundidade de que cada jogador cumpre seu papel de acordo com seu personagem.

Proporcionando uma gama de possibilidades, o sistema de níveis permite a construção de várias builds e classes. A dupla de jogadores pode se compor no clássico mago e guerreiro ou variar para um chefe de cozinha ou um caçador portando pistola e chicote. A quantidade de itens e variações de armas é tão vasta quanto um Diablo da vida. O sistema de upgrade e transformação de itens também é presente no jogo e, caso tabelas de estatísticas com percentuais de atributos te atraiam, também são algo a ser explorado.
Infelizmente, nem tudo é perfeito e o design de personagens deixa a desejar. Todo o estilo sombrio do jogo não combina muito bem com os traços dos personagens, dando a sensação de que seu avatar e os NPCs não se encaixam com o resto do cenário. Outra falha que acontece é a falta de balanceamento entre as classes. Não é um erro tão grave, já que a forma como evolui seu personagem parte da escolha do próprio jogador, mas classes como paladino ou berserk sofrem com o peso e lentidão, enquanto arqueiros e magos se beneficiam da agilidade e ataques de longo alcance.
Para alguns, jogos que se apoiam no cooperativo são falhos por se beneficiarem do fator “qualquer atividade acompanhada de um amigo é facilmente divertida”. Porém Salt and Sanctuary possui o mérito de ir além desse benefício e entregar uma jornada instigante e um gameplay desafiante.
