
SINOPSE
A jovem Therese Belivet tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird, uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha. Carol, que está se divorciando de Harge, também não está contente com a sua vida. As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos.

Em tempos em que a discussão sobre liberdade sexual é cada vez maior, surge Carol, um filme que se passa na década de 50, mas consegue ser muito atual em sua essência. Ganhou uma grande notoriedade mundial, recebeu uma série de prêmios e seis indicações ao Oscar 2016, entre elas as de Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado. O longa é escrito por Phyllis Nagy, baseado no livro The Price of Salt de Patricia Highsmith, e dirigido Todd Haynes. Edward Lachman é o responsável pela fotografia e Carter Burwell pela trilha sonora.
O filme se destaca, principalmente, por sua sutileza e delicadeza. Carol Aird é uma mulher madura e elegante que se envolve com Therese Belivet, uma moça cheia de incertezas, mas segura de seus atos. A paixão entre as duas vai sendo construída aos poucos, de uma maneira leve e envolvente, recheada com a beleza e o glamour dos anos 50. Grande parte desse clima se deve à interpretação de Cate Blanchett e Rooney Mara, ambas estão tão confortáveis em seus papéis que em alguns momentos quase é possível esquecer suas personagens anteriores e acreditar que sempre foram Carol e Therese.
Porém não podemos deixar de lado o belo trabalho da direção de arte, produção e figurino, que cuidaram para que toda a ambientação fosse fiel à época. A fotografia traz uma iluminação baixa e tons pastéis que contrastam com elementos vermelhos e amarelos, para montar um clima quase melancólico, mas sem exageros. A trilha sonora também foi bem pensada e, somada aos outros fatores técnicos, ajuda bastante na imersão.

Ao mesmo tempo em que os momentos íntimos entre Carol e Therese são apenas delas, tratados por ambas com muita naturalidade; o longa traz, em contraponto, o julgamento que acompanha a maior parte das relações homoafetivas, acrescido ao fato de que a personagem principal tem uma filha e corre o risco de perdê-la graças a intolerância de seu ex-marido.
Mas todo o preconceito é indireto, não existe nenhuma cena flagrante ou qualquer humilhação pública enquanto as duas estão juntas. A única pessoa além de Carol e Therese que realmente as viram chegando "as vias de fato" é o espectador e isso funciona como uma espécie de provocação àqueles que são contra relacionamentos gays. É como se dissessem "o amor é isso e você não pode fazer nada para impedir".
O filme que trabalha pelo fim da intolerância. A autora do livro, Patricia Highsmith, o escreveu em 1952, mas observar como o roteiro continua atual em pleno século XXI nos mostra o quando nossa sociedade ainda precisa evoluir. Carol é uma daquelas obras que vai além do entretenimento. Nos faz pensar.

