
SINOPSE
Anna é uma garota muito solitária que vive com seus pais adotivos e não tem amigos. Ao se mudar para uma cidade do interior, acaba se tornando amiga de Marnie, que na verdade, não é bem aquilo que aparenta ser. A amizade das duas vai bem até que um dia, Marnie desaparece misteriosamente.

Em 2016, pelo terceiro ano consecutivo (e pela quarta vez na história), o Studio Ghibli recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Animação. Neste ano, Quando a Marnie Estava Lá (Omoide no Marnie) concorre à premiação ao lado de grandes nomes como Divertida Mente e o brasileiro O Menino e o Mundo. O filme é escrito e dirigido por Hiromasa Yonebayashi, que esteve envolvido em produções como Ponyo e Mononoke Hime.
Já falamos um pouco sobre o estúdio nas nossas (não) críticas de Vidas ao Vento (indicado de 2014) e O Conto da Princesa Kaguya (indicado de 2015), mas é interessante frisar que o estilo de animação mantém a "essência Ghibli", respeitando as antigas animações japonesas, principalmente nos traços das personagens, mas a cada ano apresenta uma evolução de técnicas que resultam em um desenho muito bonito, principalmente na riqueza de detalhes dos cenários.
É curioso notar que Quando a Marnie Estava Lá é baseado em um romance inglês intitulado When Marnie Was There, da autora Joan G. Robinson, mas segue quase que completamente o método japonês de se contar uma história. Para quem não está acostumado (ou está acostumado demais com Hollywood e afins), as produções japonesas mais notórias não seguem nem a Jornada do Herói, nem o manual da Pixar para animações, nem qualquer outro padrão oriental que possa ser observado. Elas costumam envolver o espectador de uma maneira mais lenta, tentado fazer com que ele quase faça parte da vida dos personagens principais, buscando assim empatia e conexão.

O filme nos apresenta Anna Sasaki, uma garota de saúde frágil e psicológico fraco, que possui o hábito de se isolar pela dificuldade que tem em falar com as pessoas. Aos poucos somos apresentados a seus problemas e entendemos melhor seu estilo de vida. Quando Anna conhece Marnie, seu mundo vira de cabeça para baixo e ela finalmente se vê conectada a alguém, algo entre uma paixão e um amor fraternal. Nem mesmo Anna, a princípio, sabe se Marnie é real, se é um fruto de sua imaginação ou até mesmo uma espécie de fantasma; mas para ela, nesse momento, nada além de sua conexão com Marnie importa.
Apesar de o roteiro não ser incrível, boa parte dos diálogos são fortes e bem pontuados. É muito fácil se colocar no lugar das personagens e se sentir parte do enredo. Em dado momento, até a mansão e o pântano se tornam estranhamente familiares. Essa é uma história de sentimentos: um pouco de tristeza, muito amor, muito otimismo e, principalmente, superação. Particularmente, eu gostaria que o final fosse menos explicado e deixasse mais mistério no ar, mas não é um fator que desmereça o restante da animação.
Quando a Marnie Estava Lá não possui a força necessária para levar uma estatueta dourada para casa e, se você ainda não viu nenhum filme do Studio Ghibli, talvez não seja o melhor para começar (busque os clássicos). Mas não deixa de ser um ótimo filme para quem já está acostumado com a dinâmica japonesa ou para aqueles mais sensíveis e pacientes.

