

"Controle é uma ilusão."
Esse é o lema da segunda temporada de Mr. Robot, série que vem conquistando um espaço cada vez maior de público e de mídia. Depois dos eventos da primeira temporada (que eu falei sobre AQUI), a trama engrossa e acompanhamos um Elliot que não faz a menor ideia do que houve durante este tempo entre as temporadas. Aliás, um Elliot que nem sequer sabe como ocorreu o ataque ao maior conglomerado financeiro do Mundo, um verdadeiro avatar do Capitalismo, também conhecido como E(vil) Corp.
Durante a temporada, acompanhamos basicamente três tramas: na primeira e principal delas, seguimos Elliot na jornada para descobrir o que houve enquanto esteve "ausente", enquanto procura por Tyrell Wellick, que agora é o homem mais procurado do mundo, e tenta colocar sua vida de volta nos eixos para vencer Mr. Robot de uma vez por todas no duelo por sua mente. Paralelamente a isso, acompanhamos Darlene vivenciando o desmembramento da F Society, uma vez que o Dark Army e o FBI começam a apertar o cerco ao grupo, e tentando levar adiante o plano orquestrado por Elliot para derrubar a E-Corp de uma vez por todas. E por último, mas, definitivamente, não menos importante, acompanhamos o progresso da agente Dominique DiPierro, do FBI, em busca dos responsáveis pelo que é considerado como o maior desastre atual dos Estados Unidos.
Existem ainda outras duas tramas, mas que considero menores (pelo menos no que diz respeito ao impacto dentro dessa segunda temporada): de um lado, Angela continua seu projeto pessoal de tentar destruir por dentro a empresa que acabou com a vida de sua mãe, E-Corp, como uma grande executiva da empresa. De outro lado, Joanna também busca Tyrell Wellick, seu marido, enquanto recebe presentes, ligações estranhas e outros indícios de que ele ainda está vivo. Sinceramente, a minha esperança é que essas tramas (principalmente a de Angela) cresçam na terceira temporada, uma vez que, na maior parte do tempo em que estavam no ar, estas não se desenvolviam na direção de causar qualquer interferência na direção que a série vem tomando.

O tom dessa temporada chega a ser mais denso que o da primeira. A atmosfera chega a ser apocalíptica, visto que um dos pilares da modernidade, o Capitalismo, foi severamente abalado. Não é à toa que a festa que os hackers da F Society dão para encher seu esconderijo de impressões digitais se chama Festa do Fim do Mundo. Não é à toa, também, que as ruas estão cheias de lixo e fumaça, e que a agente DiPierro tenha as conversas mais deprimentes com a inteligência artificial que ela usa como secretária pessoal. Por um momento, consegui sentir o mesmo que sentia enquanto assistia a The Leftovers - série que, para mim, consegue imprimir melhor essa sensação de desesperança e instabilidade moral, ética e até mesmo espiritual da sociedade que representa.
Revisitando meu texto sobre a primeira temporada, senti a necessidade de comentar novamente sobre alguns pontos, mas desta vez a partir de uma perspectiva diferente.
O principal ponto é a fotografia, que consiste não em planos aleatórios e incômodos, como eu disse anteriormente, mas que alertam sempre para a iminente possibilidade de uma revelação que não pode ser prevista porque estamos sempre olhando para os lugares errados. A direção, sempre disruptiva, se aproveita muto bem da regra dos terços e a subverte para demonstrar que algo está errado. Seria a desconexão entre as personagens? Ou, colocando melhor... Seria só isso?
Sinceramente, uma das coisas que mais me interessa em Mr. Robot, além das características estéticas que me cativaram muito nesta segunda temporada, é a abertura e a liberdade (ou diria obrigação?) de comentar sobre ela com meus amigos e elaborar teorias para o que está acontecendo e o que pode acontecer. Paralelamente a isso, criando um paradoxo, a série deixa claro o tempo todo que precisamos nos afastar e ver o todo, antes de qualquer ação precipitada. Os próximos parágrafos devem conter spoilers, para sanar minha necessidade de discutir estas coisas com outras pessoas e falar sobre como a série causa esse efeito paradoxal.

Okay, Elliot começa a temporada em uma prisão. É claro que está em uma prisão. Ou seria claro, se Sam Esmail não tivesse deixado bastante claro que estamos vendo e presenciando coisas que ele não poderia presenciar. Um exemplo disso é a cena em que Ray está conversando com seu antigo "cara do TI" e falando sobre a situação de seu site antes de conversar sobre isso com o protagonista. Ora, se Ray faz parte de um núcleo específico da vida de Elliot, como pode viver fora disso? Se ele faz parte de uma ilusão, por que se destaca deste universo imaginário (mesmo que todas as pessoas desse universo sejam baseadas em pessoas reais que ele encontra) para viver uma cena só dele?
Essa minha dúvida (estaria o roteirista traindo o espectador e pegando um atalho, ou plantando uma semente para colher no futuro?), adicionada de mais dois momentos (Tyrrell e Ângela conversando ao telefone e AMIGO PRISÃO encontrando AMIGOSHACKERS) me faz pensar no seguinte: e se tudo que vemos em Mr Robot, desde a última conversa ente ele e sua psicológica enquadrada convencionalmente, não passa de uma ilusão criada por ele?


O tom dessa temporada chega a ser mais denso que o da primeira. A atmosfera chega a ser apocalíptica, visto que um dos pilares da modernidade, o Capitalismo, foi severamente abalado. Não é à toa que a festa que os hackers da F Society dão para encher seu esconderijo de impressões digitais se chama Festa do Fim do Mundo. Não é à toa, também, que as ruas estão cheias de lixo e fumaça, e que a agente DiPierro tenha as conversas mais deprimentes com a inteligência artificial que ela usa como secretária pessoal. Por um momento, consegui sentir o mesmo que sentia enquanto assistia a The Leftovers - série que, para mim, consegue imprimir melhor essa sensação de desesperança e instabilidade moral, ética e até mesmo espiritual da sociedade que representa.
Revisitando meu texto sobre a primeira temporada, senti a necessidade de comentar novamente sobre alguns pontos, mas desta vez a partir de uma perspectiva diferente.
O principal ponto é a fotografia, que consiste não em planos aleatórios e incômodos, como eu disse anteriormente, mas que alertam sempre para a iminente possibilidade de uma revelação que não pode ser prevista porque estamos sempre olhando para os lugares errados. A direção, sempre disruptiva, se aproveita muto bem da regra dos terços e a subverte para demonstrar que algo está errado. Seria a desconexão entre as personagens? Ou, colocando melhor... Seria só isso?
Sinceramente, uma das coisas que mais me interessa em Mr. Robot, além das características estéticas que me cativaram muito nesta segunda temporada, é a abertura e a liberdade (ou diria obrigação?) de comentar sobre ela com meus amigos e elaborar teorias para o que está acontecendo e o que pode acontecer. Paralelamente a isso, criando um paradoxo, a série deixa claro o tempo todo que precisamos nos afastar e ver o todo, antes de qualquer ação precipitada. Os próximos parágrafos devem conter spoilers, para sanar minha necessidade de discutir estas coisas com outras pessoas e falar sobre como a série causa esse efeito paradoxal.

Okay, Elliot começa a temporada em uma prisão. É claro que está em uma prisão. Ou seria claro, se Sam Esmail não tivesse deixado bastante claro que estamos vendo e presenciando coisas que ele não poderia presenciar. Um exemplo disso é a cena em que Ray está conversando com seu antigo "cara do TI" e falando sobre a situação de seu site antes de conversar sobre isso com o protagonista. Ora, se Ray faz parte de um núcleo específico da vida de Elliot, como pode viver fora disso? Se ele faz parte de uma ilusão, por que se destaca deste universo imaginário (mesmo que todas as pessoas desse universo sejam baseadas em pessoas reais que ele encontra) para viver uma cena só dele?
Essa minha dúvida (estaria o roteirista traindo o espectador e pegando um atalho, ou plantando uma semente para colher no futuro?), adicionada de mais dois momentos (Tyrrell e Ângela conversando ao telefone e AMIGO PRISÃO encontrando AMIGOSHACKERS) me faz pensar no seguinte: e se tudo que vemos em Mr Robot, desde a última conversa ente ele e sua psicológica enquadrada convencionalmente, não passa de uma ilusão criada por ele?
Já foi deixado claro que níveis de ilusão podem ser criados por Elliot, quando ele foi parar em uma sitcom dos anos 80 enquanto apanhava de Ray e seus capangas em um lugar que não estava. E se mesmo estes níveis de ilusão estivessem sobrepostos a um nível mais amplo ainda, no qual a E-Corp como vemos, F Society, Dark Army e outras coisas também são ilusões? Tyrell Wellick ama Elliot Alderson. Mas seria esse amor como aquele que um líder desperta em seus companheiros, ou o amor que um criador desperta em suas criaturas?

A matrix dentro da Matrix. Um sonho dentro de um sonho. Já vimos em vários lugares que inserir uma ilusão dentro de uma ilusão é o melhor jeito de continuar enganando aquele que está sendo iludido, pois a luta dele será para voltar a uma realidade que não é real. Além disso, sabemos, pelo decorrer da temporada e o novo slogan da série, que controle é uma ilusão. E, acima de tudo, sabemos muito bem quem está no controle em Mr. Robot.
