Quando as Luzes se Apagam

SINOPSE 
Desde que era pequena, Rebecca tinha uma porção de medos, especialmente quando as luzes se apagavam. Ela acreditava ser perseguida pela figura de uma mulher. Anos mais tarde, seu irmão mais novo sofre do mesmo problema. Juntos, eles descobrem que a aparição está ligada à mãe deles. Rebecca começa a investigar o caso, e chega perto de conhecer a verdade.


Por Alessandro Resende

O terror sempre passou, e sempre passará, por proveito de algum fato externo. Seja pelo desenvolvimento tecnológico da sociedade, ou até mesmo algum acontecimento real, o gênero se sustenta em temores dos seres humanos. O medo é um sentimento que faz o terror caminhar no cinema desde o início, e quando há oportunidade, explora os amedrontamentos mais primitivos. Um deles, que carrega a vulnerabilidade consigo, é o medo do escuro. Em diversos momentos do audiovisual a escuridão foi trazida à tona no ambiente de roteiros, tentando deixar claro o desconhecido como ponto alto.

Apresentando essa premissa, Quando as Luzes se Apagam (Lights Out, 2016) chega aos cinemas depois de um grande estouro na internet. Um curta-metragem, de mesmo nome, ganhou os olhos populares e de produtoras em 2013 com sua condução de uma entidade que se manifestava no escuro. O diretor David F. Sandberg recebeu elogios por implantar o oculto por meio da escuridão, alcançando com o curta- metragem um feito que alguns longas não estavam conseguindo. Um tempo depois, David anunciou que iria dirigir o filme baseado em seu pequeno (grande) trabalho. Com James Wan, que já se firmou no gênero do terror, como produtor, o projeto seguiu em frente, mas uma dúvida surgiu: Será que o diretor iria conseguir sustentar o clima de seu aclamado curta-metragem em um filme?

O filme nos apresenta uma família com uma mãe (Maria Bello) que nunca conseguiu ter sua saúde mental estável, um pequeno garoto (Gabriel Bateman) afetado por noites sem dormir com medo do escuro e uma jovem adulta (Teresa Palmer) que abandonou sua casa para tentar fugir daquele ambiente. Palmer, no decorrer do conflito, explora satisfatoriamente o sentimento de filha que anseia em salvar a família, enquanto Bateman não convence sendo o garoto desesperado pelo bem da mãe.


O enredo acompanha a mãe, Sophie, e sua relação nunca enterrada com uma velha, e morta, amiga, Diana, a sombra que aterroriza a vida dos três. Durante o filme, a entidade que se esconde nas sombras permanece sendo uma silhueta perigosa (e agressiva!) sem dar as caras. E isso é bastante válido. O diretor expõe toda a origem do ser que criou, presente desde o seu curta-metragem, mas somente em um momento mínimo deixa explícito a figura. David. F. Sandberg quer deixar claro ao longo do roteiro que em qualquer canto escuro Diana pode estar observando. Diana funciona como um parasita na vida de Sophie e quanto mais a mulher a deixa estar presente, mais a sombra se manifesta. Quando ela se expõe, no escuro, há um peso de violência em seus atos, gerando um medo não somente de sua aparição, mas também do contato físico. E essa foi uma das competências do filme: criar um antagonista sobrenatural misterioso que não está ali somente para assustar uma família.

Porém, o longa-metragem, de quase uma 1 hora e meia, falha em suas relações de personagens. A cada momento é previsível o que irá decorrer entre eles. É quase óbvio cada passo de todos que estão cercados na trama. Isso aumenta a expectativa por um ponto de virada e deixa o público sem muita proximidade com os personagens, levando a um desfecho de conflito já esperado. Mas, se o final não se concretizasse da forma que ocorre, não haveria sentido.

Logo, Quando as Luzes se Apagam tem o potencial para agregar ao terror, tendo como exemplo as cenas pensadas em sempre dialogar com o escuro e trabalhar o oculto. Entretanto, os fãs que procuram uma estrutura mais voltada para a tensão na atmosfera em que o filme está inserido, como O Iluminado (The Shining, 1980) ou A Bruxa (The Witch, 2016), podem se decepcionar um pouco. Em momentos, é claro um toque de James Wan na composição de ação para causar o susto, mas David F. Sandberg conseguiu mostrar sua desenvoltura em sair de curtas-metragens para um produto maior, mesmo ainda sendo necessário, como parte de um processo dentro do cinema, pensar no filme como um todo. Afinal, a experiência do terror vai além de somente sustos.

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