
SINOPSE
Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um funcionário sobrecarregado do Ministério da Magia, marido e pai de três filhos em idade escolar. Enquanto Harry luta com um passado que se recusa a ficar em seu lugar, seu filho Albus enfrenta o peso do legado de família que ele nunca quis. Passado e presente se fundem e pai e filho precisam encarar uma verdade desconfortável: às vezes, as trevas surgem de lugares inesperados.

Se você estava vivo no início dos anos 2000 e sabia ler, você leu Harry Potter ou conhece alguém próximo que leu. A saga foi um sucesso editorial e lançamento de um novo volume foi tanto esperado quanto temido. De um lado, os fãs que sentiam falta de Harry, Rony e Hermione. Do outro, os que acreditavam que a história já estava encerrada e o acréscimo de mais volumes era desnecessário. Sinceramente, eu sempre estive em cima do muro, o que não me impediu de ler Harry Potter and the Cursed Child assim que foi lançado.
Harry Potter and the Cursed Child é o oitavo volume de Harry Potter e consiste no roteiro da peça homônima atualmente em cartaz em Londres. O livro foi lançado no dia 31 de julho (aniversário de Harry e da autora J.K. Rowling) e foi escrito por Jack Thorne, baseado na história criada por Rowling, pelo próprio Thorne e por John Tiffany. Já a tradução para o português está prevista para outubro.
O enredo da peça gira em torno de Harry e seu filho do meio, Albus, e tem seu início no epílogo do sétimo volume – Harry Potter e as Relíquias da Morte –, retomando a cena da despedida em King’s Cross. A partir daí, acompanhamos uma série progressiva de desentendimentos entre pai e filho e vemos viagens no tempo e suas consequências, além da ameaça do retorno de Voldemort.
Mesmo com a emoção de revisitar personagens tão queridos, a história tem sido muito criticada: não parece Harry Potter, soa como fanfic, os acontecimentos são corridos, pouca coisa (ou nenhuma) foi acrescentada na série original. Nada disso deixa de ser verdade. Talvez seja pela estrutura da narrativa do livro, que se passa em vários anos ao contrário de seus antecessores que acompanhavam um ano letivo. Talvez seja a mudança do autor. É estranho ler Harry Potter sem ser pelas palavras de Rowling. Talvez seja apenas o choque causado pela mudança de formato, afinal, após sete romances, lemos uma peça. O fato é que, ainda que não seja exatamente ruim, não é a melhor das leituras.

Entretanto, devo ressaltar que se trata de uma peça. Provavelmente, como espetáculo visual, a obra funciona muito bem. É como objeto literário que peca, devido à falta de desenvolvimento nos acontecimentos, motivações rasas e plot twists forçados. Durante a apresentação, tudo isso pode ser ignorado devido a estrondos e luzes verdes (tão bem marcados nas orientações de cena). Já durante a leitura, fica um gosto amargo de frustração.
O maior acerto de Harry Potter and the Cursed Child é o desenvolvimento da relação entre pai e filho. Esse ponto é o central da trama e é muito bem trabalhado. É verdadeiramente emocionante em diversos trechos. Inclusive, esse tema é abordado por diversas personagens, não apenas pelos protagonistas.
Apesar das críticas, o fã que acompanhou Harry Potter não deve deixar de ler. A nostalgia que a leitura traz e a alegria de reencontrar antigos favoritos são uma sensação única que só esse livro pode trazer. Além disso, é uma oportunidade de ver personagens com os quais muitos de nós crescemos sendo adultos maduros e, por vezes, sendo perdoados por seus erros do passado. Leia, mas leia de cabeça e coração abertos para evitar a decepção. Não é o nosso Harry Potter de sempre, mas é algum Harry Potter.
