
SINOPSE
Desde o início da civilização, ele é adorado como um deus. Apocalipse, o primeiro e mais poderoso mutante do universo, acumulou os poderes de muitos outros mutantes, tornando-se imortal e invencível. Ao acordar depois de milhares de anos, ele está desiludido com o mundo em que se encontra e recruta uma equipe de mutantes poderosos, incluindo um Magneto desanimado, para purificar a humanidade e criar uma nova ordem mundial, a qual ele reinará. Como o destino da Terra está por um fio, Mística, com a ajuda do Professor X, deverá levar uma equipe de jovens X-Men para conter o seu maior inimigo e salvar a humanidade da completa destruição.

Sem lados pra torcer mas ainda com personagens de quadrinhos se estapeando é lançado o quarto filme de super-herói desse ano. Essa conta parece crescer tanto quanto o valor de produção e rendimento desses filmes e só pelo nome X-Men já temos seis títulos e um longo caminho pela frente, já que X-Men: Apocalipse ainda não parece ser o título que encerra a franquia e sim a preparação de um novo começo. Pode parecer estranho falar sobre começo quando se assume que já é o sexto filme de uma franquia, mas vale lembrar que em X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido a franquia foi reiniciada e agora tudo é possível, ou pelo menos é assim que deveria ser.
Com personagens já estabelecidos e novatos com muito potencial, o sexto filme da franquia chega aos cinemas com roteiro escrito por Simon Kinberg e direção de Bryan Singer. No elenco temos os familiares James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence e Oscar Isaac como Apocalipse; além dos recém-chegados Tye Sheridan como Ciclope, Kodi Smit-McPhee como Noturno, Olivia Munn como Psylocke e Sophie Turner como a encantadora Jean Grey.

Quando a Fox anunciou a produção de X-Men: Apocalipse, me animei devido ao mar de possibilidades que o filme anterior abriu, já que todos os problemas da franquia seriam apagados e os personagens poderiam ser reconstruídos: teríamos novos atores dando uma nova chance a personagens mal utilizados ou apenas uma nova roupagem desses papéis. Entretanto, o que vemos em X-Men: Apocalipse é a repetição de velhos erros, como enredos que se apegam a grandes atores e destacam apenas uma parcela do elenco enquanto que outros são apenas deixados de lado. Muito se falou durante a produção do longa de nomes como Tempestade e Psylocke, mas nas telas a participação das personagens é pequena e quase não existe desenvolvimento na trama. Entretanto ainda existem bons momentos no filme que o salvam de ser algum desastre, semelhantes aos de filmes da Marvel, boas batalhas e super-heróis em belas poses.
Apocalipse surge já no início do filme seguido de seus cavaleiros. A cena demonstra o poder que o mutante exerce sob os humanos por meio da crença religiosa, já que se considera um deus, e, sem nenhuma palavra pronunciada pelo vilão, empolga e funciona bem. Porém, ao acordar no mundo atual, o poder de Apocalipse e sua imponência não são assim tão grandiosos: suas falas se resumem a frases de efeito sobre destruir o que começaram e sobre mutantes seguirem falsos deuses. Talvez o problema seja o texto, talvez toda a maquiagem e falta de espaço para a construção da personagem, mas é triste perceber que um dos vilões mais icônicos dos X-Men se resumiu a recrutador de mutantes revoltados e que, durante todo o filme, eu só torcia pra que ele ficasse calado.
Outro ponto negativo é a volta de Magneto como vítima de traumas que o levaram a se tornar um perigoso vilão e assassino. Tempo de tela é desperdiçado para elaborar uma trama desnecessária, pois já tendo a história bem explorada nos filmes anteriores, fica claro que Fassbender se tornou o que Hugh Jackman é para Wolverine: um nome a ser bem pago. O mesmo não se pode falar de Mística, vilã nos quadrinhos mas um ícone entre os mutantes nos cinemas. Como em Jogos Vorazes, Jennifer Lawrence é enxergada como fonte de inspiração devido aos acontecimentos no final de Dias de Um Futuro Esquecido e por isso tanto sua motivação como pseudo líder dos X-Men como a razão para se esconder da pele azul é plausível.

Apesar de não terem tanto enfoque quanto Magneto, Xavier ou Mística; Ciclope, Jean e Noturno funcionam bem no filme e demonstram todo o potencial que os jovens mutantes têm. Ciclope é tão novato na equipe quanto Noturno, entretanto já demonstra sinais de liderança enquanto este funciona como alivio cômico nos momentos certos e sem forçar a barra. Porém é Jean quem mais brilha, sendo a peça fundamental para a trama. Certamente Sophie Turner se desvencilhou de Sansa Stark e mostrou que também pode ter um papel de uma jovem forte e poderosa. Confesso que estou ansioso pra ver o futuro da nova Jean Grey nos cinemas.
Por fim, X-Men: Apocalipse fica no mesmo patamar de outros filmes recentes de super-herói que empolgam na medida certa sendo uma ótima fonte de entretenimento. Não custa lembrar que filmes de herói entraram no grande circuito de cinemas após o lançamento do primeiro filme dos X-Men e que, na época, não existia critério de comparação, então o público se satisfez apenas pela existência do filme. Assistindo X-Men: Apocalipse me lembrei de quão menor eram esses filmes e o quanto cobramos deles agora, seja pelo marketing gerando hype a cada novo trailer, seja por disputas de qual estúdio é o melhor. No fim das contas, a gente só precisa deixar tudo de lado e tentar se divertir um pouco, já que a proposta do gênero nunca foi ir além disso.
