
Deus sabe que não me atrevo e nem nunca me atrevi a escrever sobre música. Mesmo considerando o CCN como um espaço para expor minhas opiniões pessoais sobre os filmes e séries que vejo, tento sempre dar ao menos o mínimo de embasamento para as coisas que digo. Sendo assim, acho que os motivos para eu não escrever são consideravelmente óbvios e incontestáveis: O primeiro e mais importante é que eu não entendo nada de música. O segundo... Bom... Acho que o primeiro pode ser considerado motivo suficiente, não é mesmo?
Mas alguma coisa em A Moon Shaped Pool (Uma Piscina com Formato de Lua, em tradução livre), o novo álbum da banda Radiohead, mexeu comigo e me fez repensar essa minha posição. Existe alguma coisa ali que me deu muita vontade de escrever sobre o disco, mas não sei explicar exatamente o que é. Nos próximos parágrafos, vou balbuciar algumas coisas na tentativa de explicar isso, mas, mesmo que esse texto não sirva como uma (não) Crítica, espero que sirva ao menos como um bom texto de indicação.
De certa forma, a carreira de Radiohead parece culminar nesse álbum. Ou pelo menos é o que ele faz parecer, enquanto ouvimos músicas que representam, direta ou indiretamente, as várias fases pelas quais a banda passou durante todos esses anos. Seja pelos formatos mais melódicos e simples ou pelas músicas mais absurdas e cheias de narrativas mais complexas, A Moon Shaped Pool consegue agradar aos fãs de qualquer uma das faces da banda.

O álbum parece ser menos experimental do que de costume, a uma primeira impressão, mas não acho que esse seja o caso. Além de músicas consideradas experimentais pelo senso comum, a banda ainda parte para a experimentação em outros ritmos musicais. Present Tense, por exemplo, tem uma pegada bem latina, cheia de ritmos corridos e instrumentos que logo evocam a sensação de uma noite de dança tropical (o que não deixa de combinar muito com a própria letra da música).
Mesmo dando a impressão de ser como aquele filme cuja trama é toda contada pelos trailers, por causa das duas músicas já divulgadas através dos excelentes clipes de Burn the Witch e Daydreaming, o album consegue guardar algumas surpresas muito boas. A própria Present Tense é muito boa, ainda que não seja uma das melhores, Burn the Witch, Ful Stop e Identikit estando entre elas. O CD não chega sequer a ser irregular, considerando que a maior parte das músicas é de boa para cima (talvez pelo fato de a banda, até mesmo em um caráter de ressurreição, apostar no que já é certo como sucesso para seu retorno).
Totalmente agradável, A Moon Shaped Pool aposta na segurança e agrada a basicamente todos os públicos atingidos por Radiohead, com exceção àqueles que sempre esperam que a banda reinvente a roda, talvez. Com excelentes novas músicas (e algumas não tão novas assim), Radiohead consegue fazer um álbum bastante diversificado com as músicas funcionando de forma bem harmoniosa entre si, tal como a maravilhosa mistura dos corais com os sintetizadores presentes em Identikit.

