Capitão América: Guerra Civil


SINOPSE 
Steve Rogers é o atual líder dos Vingadores, super-grupo de heróis formado por Viúva Negra, Feiticeira Escarlate, Visão, Falcão e Máquina de Combate. O ataque de Ultron fez com que os políticos buscassem algum meio de controlar os super-heróis, já que seus atos afetam toda a humanidade. Tal decisão coloca o Capitão América em rota de colisão com Tony Stark, o Homem de Ferro.




Team Cap ou Team Iron? Os lados estavam definidos, a sorte lançada e a expectativa nas alturas. Foram cerca de oito anos de "preparação" para apresentar um filme que leva o nome de um dos arcos mais importantes da Marvel, a Guerra Civil,  e ainda assim com proporções infinitamente menores que a dos quadrinhos. Mas o longa não é necessariamente uma adaptação, deve ser encarado mais como um trabalho livremente inspirado nas HQs, assim como todo o Marvel Cinematic Universe.

O último grande crossover, Vingadores: Era de Ultron, foi mais do mesmo. Nenhuma surpresa, nenhuma mudança, nada muito importante. Porém foi bom saber que Capitão América: Guerra Civil seguiu com a mesma equipe de direção, Anthony e Joe Russo, e os mesmos roteiristas, Christopher Markus e Stephen McFeely, de Capitão América 2: O Soldado Invernal, e o esperado foi cumprido: um filme mais sério e relevante.

O elenco conta com algumas caras novas, como Tom Holland no papel do tão esperado Peter Parker, Marisa Tomei como uma jovem tia MayChadwick Boseman como T'Challa, o Pantera Negra, e Frank Grillo no papel de Ossos Cruzados. E, é claro, a galera já conhecida há algum tempo: Chris EvansRobert Downey Jr.Sebastian StanScarlett JohanssonAnthony MackieJeremy RennerDon Cheadle, Paul Bettany, Elizabeth Olsen e Paul Rudd.



Em Capitão América: Guerra Civil o ponto principal do enredo gira em torno do Tratado de Sokovia, onde os super-heróis seriam obrigados a revelar suas identidades, através de um registro, e agir somente em missões designadas pela ONU. Tratado que foi definido por mais de 100 países, inspirados pelo envolvimento de heróis em catástrofes que destruíram cidades inteiras, matando uma série de inocentes ao redor do mundo.

"Mas se não houvesse intervenção dos heróis, não seria muito pior?", provavelmente é a primeira pergunta que é feita. É legal notar que neste ponto, o filme traz uma abordagem muito utilizada nos quadrinhos em geral: a ideia de que os super-vilões são inspirados (e desafiados) a existir pelos próprios super-heróis. Tony Stark tomou um gole, quase literal, desse veneno quando criou Ultron. Isso, somado ao fato de vidas que foram "tiradas" pelo Homem de Ferro, moldam a inclinação do personagem a favor do tratado.

O Capitão América, por outro lado, acredita na liberdade. Apesar de ter sido um militar, não acha que a intervenção governamental irá melhorar a atual situação mundial. Sua opinião é reforçada quando seu amigo Bucky, o Soldado Invernal, está sendo caçado injustamente por um atentado à própria ONU,  provando para si mesmo que sua ações como um herói que age por conta própria são mais eficazes do que se tornar um soldado que seve aos propósitos do governo.

Você já ouviu dizer que os quadrinhos costumam refletir uma parte da sociedade? Guerra Civil apresenta um contraponto das duas maiores características dos Estados Unidos: a certeza de que todo norte-americano deve ser livre e a busca de poder e controle mundial exercida pelo governo norte-americano. Olhando de fora é fácil escolher um lado, mas, dentro do filme,  ambos são explorados de uma forma em que não existe o certo e o errado, apenas opiniões divergentes.



Um dos meus maiores medos particulares era de que a sub trama do Capitão América com o Soldado Invernal fosse gerar um vilão que fizesse com que a Guerra Civil fosse deixada para trás e juntasse novamente os Vingadores, passando por cima de suas diferenças, para enfrentar um mal maior. Felizmente não aconteceu. A dissolução daquele grupo de heróis é algo real e a maior parte dos personagens se mantém até o final com sua opinião pessoal intacta. Obviamente, em Vingadores: Guerra Infinita as coisas devem mudar bastante, mas até lá podemos ficar felizes com o resultado do terceiro filme do Capitão América.

Falando sobre personagens, o Pantera Negra é o primeiro a roubar a cena. É uma sucessão de surpresas positivas: um ator carismático, um uniforme fantástico e movimentos incríveis. Inclusive, todas as lutas estão muito bem coreografadas.  Este talvez seja o filme da Marvel com as melhores cenas de batalhas.

A aparição do Homem-Aranha junto aos Vingadores finalmente fez jus ao Amigo da Vizinhança que muita gente queria ver: um pré-adolescente nerd e engraçado, meio inseguro sem sua fantasia, mas cheio de si na pele do Aranha. Assim como todo filme da Marvel, o alívio cômico está presente, mas desta vez Tony Stark fica em segundo plano para que Peter Parker possa nos fazer rir com o fato de que nem ele esperava estar presente em meio a tantos super-heróis famosos.



Por outro lado, os roteiristas fizeram uma entrada muito fraca para o Gavião Arqueiro e, mais uma vez, ninguém se importa com o Máquina de Combate. Porém, o pior de tudo é que eles ainda não sabem o que fazer com o Visão. Transformaram um personagem que carrega toda a sabedoria da humanidade (e uma jóia do infinito) em um "robô engraçaralho" que parece estar ganhando sentimentos ao mesmo tempo que precisa de um livro de receitas para fazer uma comida ruim. Em muitas cenas de batalha ele é apenas deixado de lado, ganhando menos tempo de tela que os outros.

Pontuando mais alguns detalhes negativos, o sub-plot com o Barão Zemo é meio forçado em alguns pontos e também parece que faltaram colhões para gerar um final mais chocante. Apesar disso, a história como um todo funciona muito bem e a batalha final tem altos picos de emoção.

Quanto a tecnicalidades, a Marvel Studios já (além de ter todo dinheiro necessário) aprendeu a criar visuais fantásticos e a fazer com que a fotografia trabalhe a favor da ação. Costuma ser sempre muito bonito de se ver. É uma pena que o 3D ainda seja quase irrelevante, já que é até difícil achar salas que disponibilizem o filme normal em sua primeira semana. Reza a lenda que Vingadores: Guerra Infinita será o filme mais caro da história. Só podemos aguardar para ver.



Enfim, Capitão América: Guerra Civil é um ótimo blockbuster tanto para quem gosta de quadrinhos quanto para quem só acompanhou pelos filmes. É divertido, emocionante, não se atropela e nem se contradiz. Uma produção que se manteve dentro das expectativas. Resta apenas saber até que ponto a apresentação do Tratado de Sokovia irá influenciar os filmes e seriados futuros da Marvel Cinematic Universe.
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