
SINOPSE
Em plena Guerra Fria, o advogado especializado em seguros James Donovan aceita uma tarefa muito diferente do seu trabalho habitual: defender Rudolf Abel, um espião soviético capturado pelos americanos. Mesmo sem ter experiência nesta área legal, Donovan torna-se uma peça central das negociações entre os Estados Unidos e a União Soviética ao ser enviado a Berlim para negociar a troca de Abel por um prisioneiro americano, capturado pelos inimigos.

Um filme produzido e dirigido por Steven Spielberg, baseado em fatos reais, que conta a história de um defensor dos ideais norte-americanos é uma receita completa para chamar a atenção dos críticos do Oscar. Não é à toa que Ponte dos Espiões (Bridge of Spies) recebeu 6 indicações para a premiação de 2016 (veja aqui), dentre elas a de Melhor Roteiro Original, escrito por Matt Charman e os Irmãos Coen, e Melhor Filme.
Estão presentes no elenco Tom Hanks (Capitão Phillips), Mark Rylance (Blitz), Amy Ryan (Birdman), Sebastian Koch (Duro de Matar) e Austin Stowell (Whiplash). Janusz Kaminski é o diretor de fotografia e Thomas Newman o responsável pela trilha sonora. Adam Stockhausen, Rena DeAngelo e Bernhard Henrich merecem destaque pela direção de arte e ambientação.
Ponte dos Espiões conta o momento da vida de James Donovan (Tom Hanks) em que ele, como advogado, foi designado para defender o espião soviético Rudolf Abel (Mark Rylance). É um daqueles filmes em que os personagens se sobrepõem à história. É muito fácil torcer por Abel e comprar a causa de Donovan, mesmo sabendo que o longa possui aquela carga pesada de nacionalismo estadunidense, que mostra como o cidadão norte-americano de bem pode se tornar uma espécie de herói.

É interessante notar como o filme explora a Guerra Fria em seu plano de fundo. Explica rapidamente o conflito indireto entre os Estados Unidos e a extinta União Soviética e suas consequências na vida de um cidadão normal, tanto nos EUA quanto na Alemanha. Podemos ver, por exemplo, o terror aplicado nas crianças em escolas norte-americanas, enquanto do outro lado, o Muro de Berlim é erguido, separando uma nação.
O filme também se destaca tecnicamente, trazendo uma fotografia muito bonita e profissional, e um design de produção que foi indicado de maneira justa ao Oscar 2016. Todo o trabalho com a ambientação dos cenários transmite o que era se viver na década de 60 em meio a uma ameaça de guerra que poderia se iniciar a qualquer momento.
Já no desenvolvimento do enredo falta um pouco de tempero. Steven Spielberg gosta de mastigar suas histórias para que o espectador não perca nada do que está sendo contado. Ainda assim o diretor já apresentou coisas incríveis. Mas no caso de Ponte dos Espiões a linearidade, a falta de uma plot twist e seus 141 minutos tendem a deixar o longa mais cansativo do que ele deveria ser e tão previsível que quase não vai além de sua sinopse oficial. Ser baseado em fatos reais não é uma desculpa válida para essa previsibilidade, visto que filmes como Spotlight - Segredos Revelados também contam uma história real e trazem mais do que o esperado.

Ponte dos Espiões - assim como O Jogo da Imitação, indicado a 8 Oscars em 2015 - traz a importância de movimentos de inteligência em um campo de batalha e mostra uma faceta psicológica da guerra que é muito interessante. Não é o melhor Spielberg que você verá, mas ainda é um bom filme.
"– Nunca se preocupa?
– Isso ajudaria?"
