Stranger Things - 1ª Temporada


SINOPSE 
Quando um jovem garoto desaparece, sua mãe, um delegado e seus amigos devem confrontar forças além da razão para resgatá-lo. 



Uma mãe procura desesperadamente por seu filho desaparecido. Uma criatura sobrenatural rodeia uma cidade pacata. Três crianças se tornam amigas de uma garota que tem superpoderes. Talvez você já tenha ouvido falar nessas coisas antes. E é nisso que a Netflix está apostando com sua nova série, Stranger Things. O projeto é basicamente um "revival", que vem para reacender a chama que as produções dos anos 80 deixaram no coração das pessoas, tanto as que viveram este momento diretamente, quando eram jovens, quanto as que viveram indiretamente, através de programas como a Sessão da Tarde, que exibia clássicos desse período no horário vespertino.

Criada por Matt e Ross, apresentados nos créditos como Os Irmãos Duffer, a série tem oito episódios produzidos e distribuídos pela Netflix. Seis desses episódios são dirigidos pelos próprios idealizadores do projeto, enquanto os outros dois ficam a cargo de Shawn Levy. No elenco aparecem nomes como Winona Ryder, David Harbour, Finn Wolfhard e Millie Bobby Brown, entre outros. A fotografia é dirigida por Tim Ives, que é acompanhado em dois episódios por Tod Campbell. Os créditos da incrível trilha sonora são de Kyle Dixon e Michael Stein.

O conjunto de elementos apresentados logo nos primeiros 5 minutos, com RPG clássico, um grupo de crianças "aventureiras" que enfrentam uma conspiração governamental, uma referência a Enigma de Outro Mundo e uma trilha sonora com base em sintetizadores, logo estabelece o clima de uma aventura oitentista. É impossível não se lembrar dos Goonies ou (em um exemplo mais afim, já que o próprio Stephen King é citado) Conta Comigo, com as interações entre os garotos, que tomam a maior parte do tempo de tela para si.



Na verdade, para ser ainda mais certeira, a série vai desenvolvendo ainda mais núcleos de personagens que se distanciam um pouco da narrativa central nos episódios seguinte, mas que nunca deixam de se ligar (que os dois últimos episódios não me deixem mentir). A trama vai se tornando mais adolescente, mais complexa e até mesmo mais sombria à medida em que os episódios vão passando, mas sem nunca perder o aspecto de fantasia (no significado mais óbvio do termo) que propõe logo mesmo em seu pôster de divulgação.

As atuações são interessantes. Aqui, algumas coisas me agradam bastante, enquanto outras me incomodam de uma maneira que não sei explicar muito bem. Aqui, dou destaque para David Harbour, que consegue trazer um pesar muito introspectivo para o delegado Jim Hopper e Millie Bobby Brown, que consegue entregar muita coisa, principalmente por expressões faciais, já que sua personagem fala muito pouco. A forma como esses dois atores trazem sempre para o campo visual a forma como o passado afeta suas personagem é muito impressionante e adiciona muito à trama. Por outro lado, Winona Ryder (provavelmente o maior nome e a maior promessa da série) parece desconfortável com o papel que interpreta, caindo várias vezes para uma atuação muito caricatural (e até mesmo forçada) e fazendo o oposto do que é feito por Harbour e Brown: afastando o espectador da cena. Além disso, acho uma pena que as duas únicas personagens negras sejam um policial paspalho que pouco aparece e um garoto encrenqueiro, que é o único entre os quatro protagonistas que não faz quase nada aproveitável.



Apesar de ter várias personagens e núcleos (ou talvez justamente por isso), a série se torna cansativa e adota um ritmo que chega a ser enfadonho por várias vezes. Assim, adota (no que parece uma tentativa de compensar esse ritmo) um formato muito parecido com o das séries de TV aberta (e algumas séries safadas da TV a cabo, como The Walking Dead e Preacher): fecha seus episódios de forma climática, geralmente com ganchos que se resolvem logo no início do episódio seguinte, antes mesmo da abertura. Mesmo assim, não deixa de aproveitar o formato livre que a Netflix proporciona, por não ter uma grade horária, apresentando episódios que possuem durações muito variadas entre si.

Stranger Things é um prato cheio de nostalgia e diversão para quem procura uma produção descompromissada para acompanhar durante algum tempo. Com algumas personagens interessantes e outras não-tanto-assim, a série pode ser chamada de "bacana" e termina sua primeira temporada com um tom otimista e algumas coisas a fechar em uma segunda temporada que, na minha opinião, precisa se esforçar um pouco mais do que a primeira para me manter até o final.
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