
SINOPSE
Dark Souls 3 continua a elevar o patamar de uma das séries mais inovadoras e aclamadas pela crítica. Com
o fogo se apagando e o mundo caindo em ruínas, você precisa se
aventurar em um universo repleto de inimigos e ambientes colossais.
Jogadores entrarão em um mundo de trevas e atmosfera épica, com uma
jogabilidade mais ágil e combates mais intensos.
O medo do escuro é um sentimento natural que a maioria de nós temos durante algum período das nossas vidas, ou pelo menos comigo foi mais ou menos isso. Lembro que meu pavor maior era do desconhecido, de algo que poderia me ameaçar mesmo que eu não soubesse do que ele fosse capaz. Já ouvi comentários a respeito do beneficio do medo, que ele é algo essencial na nossa sobrevivência e que, quando nos tornamos cautelosos com alguma ameaça, nossa chance de sobrevivência aumenta. Em Dark Souls, a coisa funciona quase dessa forma. O misto de adrenalina e medo transforma as quase 40 horas em uma experiência onde quem evolui é o próprio jogador. Aprendemos com nossos erros e, na medida que somos pacientes, recebemos a recompensa da superação não só dos desafios, mas também do nosso medo.
Existem muitos elementos em um jogo que o tornam bom ou acima da média, seja a sua narrativa ou o próprio game design. É no bom uso dessas fórmulas que encontramos algo apaixonante e digno de desperdiçar algum tempo. Sendo assim, é difícil falar sobre Dark Souls 3 sem trazer junto a carga de admiração que a série traz. Sempre que penso em perfeição na construção de level design, penso em Dark Souls 1 e na maneira com que o jogo distribui não só seus mapas, mas também a forma como descobrimos sua história, de forma que nos sentimos impelidos a explorar e buscar mais peças do quebra-cabeças. Toda a sintonia em que o jogo se constrói entre mecânicas e desafios é no mínimo viciante.

Na série Souls, sou o cara que não curtiu o segundo jogo e com isso percebeu que o sucesso da franquia não acontece simplesmente por sua dificuldade ou a repetição de mecânicas, existe também a construção de ambientes que se encaixam na progressão do jogo e o tornam coeso com a atmosfera que a história propõe. Em Dark Souls 3 o retorno do diretor Hidetaka Miyazaki é palpável quando reparamos nos pontos citados. Disponibilizado em março de 2016 para Playstation 4, Xbox One e PC, Dark Souls 3 entrega a conclusão da trilogia pelas mãos do estúdio japonês From Software.
Foi em meados de 2011, durante o lançamento do primeiro jogo da série Souls, que descobri a existência de um alívio para jogos que exploram elementos de RPG. Nessa época, pouco se falava sobre o promissor estúdio que viria a criar um subgênero de jogos ou que sua influência tornaria um aglomerado de fãs em um pequeno nicho. É engraçado olhar para trás e ver o quanto essa comunidade cresceu e perceber que Dark Souls 3 torna essa franquia mais aberta e inclusiva. Acredito que novos jogadores ainda possam ficar assustados devido a fama de jogo difícil, mas para os curiosos existe uma nova possibilidade de começo.

O novo Dark Souls dá continuidade na história iniciada no primeiro jogo, que é o cenário de mundo medieval e fantasias, onde continuamos a seguir o curso das chamas primordiais e de seus deuses abatidos, toda a jornada solitário de um escolhido e a ascensão por sua dedicação. E, por mais importante que seja, Dark Souls 3 continua prazeroso mesmo que o jogador escolha não desvendar essa história.
A intenção de concluir a trilogia fez com que histórias e personagens retornassem para amarrar algumas pontas soltas. Ainda que traga um sentimento de despedida, o tom de repetição em alguns desses personagens e locais soa como fan service. Parece que estão lá apenas para agradar e não para dar sentido na história: continuamos com dúvidas e anseios por descobertas.

Problemas técnicos ainda estão presentes. Porém, apesar de algumas correções ainda serem necessárias, eles são irrelevantes comparados aos pontos positivos do jogo. Muito embora não precise mencionar, a evolução gráfica do jogo elevou o nível de beleza dos ambientes - se antes já era delicioso explorar os cenários de Lordran, em Dark Souls 3 cada nova descoberta é recompensadora, todo o sentimento de medo e apreensão continuam presentes, é quase um pequeno déjà vu de sensações que tínhamos ao jogar Dark Souls 1 quando chegávamos em uma nova área ainda desconhecida, o pavor de encontrar um novo inimigo somado ao medo do desconhecido... E assim que nos deparamos com os créditos finais de Dark Souls 3, retorna a lembrança de que agora só podemos sentir saudades.
Após o sucesso de Bloodborne – também desenvolvido pela From Software -, Dark Souls 3 renovou a dinâmica do combate, se tornando mais ágil mas da mesma forma metódico. Ainda se trata sobre gerenciamento de stamina, mas agora com novos elementos de mana e inimigos um tanto quanto mais agressivos.
Diminuindo o espaço que antes existia devido a baixa qualidade gráfica dos jogos percursores em comparação aos demais de sua geração, Dark Souls 3 chegou com uma nova roupagem mas mantendo sua essência. Abraçou novos jogadores ao eliminar longas batalhas contra chefes e ao apresentar seus segredos e formas de desvendá-los já de inicio, trazendo com isso um amadurecimento na série. Possui um tom de convite para um novo publico, mas ainda assim servindo como despedida para os fãs de longa jornada.
