Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois Mundos



SINOPSE 
A região de Azeroth sempre viveu em paz, até a chegada dos guerreiros Orc. Com a abertura de um portal, eles puderam chegar à nova Terra com a intenção de destruir o povo inimigo. Cada lado da batalha possui um grande herói, e os dois travam uma disputa pessoal, colocando em risco seu povo, sua família e todas as pessoas que amam.



"Filme de jogo" é um termo que ainda faz muita gente torcer o nariz, provavelmente por não haver tantas adaptações notórias, ainda mais se comparadas a produções baseadas em livros. O fato é que o mundo dos games, principalmente nos dias atuais, apresenta universos cada vez mais ricos e complexos, a busca por uma experiência divertida e/ou desafiadora não faz mais tanto sentido se a história não conquistar o jogador. E por mais que você esteja ali, inserido no "mundinho", ajudando o enredo a se desenvolver, uma produção cinematográfica sempre será uma experiência completamente diferente.

Ouça aqui nosso podcast sobre Adaptações.

Warcraft surgiu em 1994 e foi uma grande revolução para a época e para o gênero de estratégia. É uma franquia que cresceu muito com o passar dos anos e gerou o MMORPG mais jogado até então. A notícia de que ele ia virar filme, e seu primeiro trailer, fez com que algumas pessoas afirmassem que seria o novo Senhor do Anéis, enquanto outras chutaram que seria apenas mais uma péssima adaptação. Mas, citando um filme ruim, o resultado pode ser inserido naqueles 50 tons de cinza. Para efeitos de disclaimer, é preciso dizer que eu não conheço a fundo a história dos jogos, então o post estará livre de comparações neste quesito.

Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois Mundos é dirigido por Duncan Jones (Lunar), que também auxiliou Charles Leavitt (No Coração do Mar) no roteiro. O elenco conta com Travis Fimmel, Toby Kebbell, Paula Patton, Ben Foster, Ben Schnetzer, Robert Kazinsky e Daniel Wu. Paul Hirsch é o montador chefe, Christian Alzmann o diretor de efeitos visuais, Jeff White o editor dos efeitos especiais e Jason Smith o editor dos efeitos de personagens.



As cenas iniciais de Warcraft já colocam o espectador na ponta da cadeira. Com uma mistura de computação gráfica 3D, captação de movimentos de atores reais e muito esmero, o resultado é realmente interessante. O filme atingiu um ótimo meio termo entre a realidade e o mundo de um game: ao invés de passar aquela sensação de criaturas e cenários fakes, foi criado um universo muito particular, mas que não deixa de ser crível.

A cenas de lutas, as magias, a grandiosidade da cidade dos humanos e dos acampamentos dos orcs são coisas que dão gosto de ver. Todas as armas e armaduras foram trabalhadas em detalhes e bem adaptadas, mas, assim como na maior parte dos jogos, tudo é muito limpo. É como se existisse uma "preocupação com a estética por parte dos personagens". No geral, você não vai encontrar roupas sujas, armaduras danificadas nem espadas arranhadas e sim túnicas vibrantes, detalhes coloridos, piercings e brincos. Porém não é algo necessariamente ruim. Talvez seja uma grande referência aos jogadores de MMORPG que costumam dar muito valor para a aparência de seus chars.

Também existem algumas tomadas aéreas e detalhes no cenário que servem de fan service para quem acompanha os jogos. Ainda assim, quem nunca jogou, ou até mesmo nunca ouviu falar de Warcraft, não perde nada.



Depois que toda a empolgação com o visual, é hora de prestar atenção no enredo. Basicamente, os Orcs chegam ao mundo dos Humanos através de um portal aberto por uma força malígna. Os Humanos, que viviam em paz, se veem obrigados a travar uma guerra contra a causa da devastação de suas terras e de seu povo. E, como o título sugere, vemos o primeiro encontro entre a Horda e a Aliança.

O problema é que muita coisa acontece ao mesmo tempo e são muitos personagens a serem desenvolvidos. É como se existisse uma disputa pelo protagonismo, o que faz com que tudo seja rápido demais, gerando motivações, aproximações e até mesmo intrigas fracas e mal desenvolvidas. É uma história previsível e, salvo por algumas batalhas, bastante morna. É fácil torcer apenas por um ou dois personagens, pois o restante se encontra do "tanto faz" para baixo.

Talvez existisse um certo receio por parte dos produtores de não conseguir atingir o grande público se a história fosse muito complicada ou até mesmo voltada para o nicho gamer, porém o refinamento presente na parte estética falta no roteiro. Mas é um fato que qualquer um consegue entender ao menos o cerne da história.



Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois Mundos não é necessariamente um filme ruim, mas certamente poderia ser bem melhor. Ainda assim, abre as portas para um universo muito rico que, se bem explorado daqui para frente, pode até mesmo levar um novo público ao mundo dos games e servir de inspiração para que surjam cada vez mais adaptações do gênero.
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