
O professor Jake Epping viaja ao passado para impedir o assassinato do presidente John F. Kennedy, mas sua missão é ameaçada por vários fatores, incluindo Lee Harvey Oswald, um relacionamento amoroso e o próprio Passado, que não quer - e não deve - ser mudado.

Minisséries, no geral, carregam em si um potencial imenso. Pela duração maior que a de um filme, por exemplo, e a possibilidade de não precisar se preocupar tanto com os problemas das séries "comuns", como renovações e alongamento da trama, o formato permite a narração de histórias mais complexas (não significando que sejam completas) ao mesmo tempo em que mantém a promessa ao espectador de uma linha narrativa concisa, com início, meio e fim. 11.22.63, projeto do serviço de streaming Hulu, parece deixar passar algumas dessas oportunidades.
Com base no livro escrito por Stephen King, a minissérie foi desenvolvida por Bridget Carpenter. Entre os principais nomes do elenco, estão James Franco, Sarah Gadon, Daniel Webber e Chris Cooper. Os créditos de música vão para Alex Heffes, enquanto a fotografia é dirigida por Adam Suschitzky durante sete episódios e David Katznelson em um.
A proposta de 11.22.63 envolve temas muito sérios e interessantes, como a viagem no tempo e a responsabilidade dos nossos atos (em um contexto mais geral do que se imagina), principalmente considerando a missão de Jake de mudar um fato extremamente relevante para a história dos EUA e para a construção da identidade nacional dos americanos. Não é difícil imaginar, a cada nova personagem ou subtrama apresentada, qual será a contribuição da pessoa para o desfecho da minissérie.

Infelizmente, vamos percebendo que também que a forma como a proposta da minissérie vai se desenvolvendo ao longo do tempo é muito diferente da que esperamos, ao assistir ao primeiro episódio. Ao fim da temporada, principalmente, fica muito mais claro que a série está muito mais preocupada com suas personagens do que com a trama maior. Esta vira apenas um ponto que o protagonista precisa resolver antes da cortina fechar.
Essa decisão até poderia ser convertida em valor adicional para a produção, se não fosse pela limitação óbvia de alcance dramático da maior parte do elenco. James Franco é um ator extremamente limitado, que não parece ter metade do nível de atuação que sua personagem demonstra precisar. A mesma coisa acontece, principalmente, com Kevin J. O'Connor, que precisa se estabelecer como uma figura que funciona tanto como enigma quanto como uma espécie de mentor para o protagonista durante as viagens no tempo. Talvez o problema seja de direção, talvez seja realmente nas atuações. A questão é que esse ponto falha muito. Uma das poucas exceções aqui é Daniel Webber, que entrega um Lee Harvey Oswald interessantíssimo.

Outro problema é com a estrutura. Tendo um formato de minissérie de oito episódios de aproximadamente uma hora, as possibilidades de entregar algo conciso são enormes. Mas essa despreocupação generalizada com a trama acaba atrapalhando um pouco. E, por mais que os últimos episódios preparem o terreno para o desfecho (o último episódio serve, basicamente, para a execução do plano final de Jake e a repercussão de suas consequências), a forma corrida como se dá a resolução da questão final mal serve para fomentar uma discussão, tamanha superficialidade.
É provável que o maior problema de 11.22.63 seja a expectativa que seu primeiro episódio gera. Ao seguir por um rumo diferente do que é apresentado a princípio, a minissérie parece não conseguir manter a unidade narrativa bem elaborada, mesmo que só precise fazer isso por oito episódios. Por seu otimismo, passa uma mensagem consideravelmente positiva e, tirando alguns momentos muito lentos no meio da temporada, consegue entreter bem. Pena que não passe muito disso.
