Creed: Nascido para Lutar

SINOPSE
Adonis Johnson nunca conheceu seu famoso pai, o campeão mundial peso-pesado Apollo Creed, que morreu antes dele nascer. Ainda assim, é inegável que o boxe está em seu sangue, então Adonis vai para Philadelphia, o local da lendária luta de Apollo Creed contra o novato chamado Rocky Balboa. Já na Cidade do Amor Fraternal, Adonis encontra Rocky e pede para que ele seja seu treinador. Apesar de sua insistência em se afastar do mundo das lutas, Rocky enxerga em Adonis a força e a determinação que ele conheceu em Apollo - seu feroz rival que acabou se tornando seu melhor amigo.

Em 1976 surgia um dos protagonistas mais carismáticos do cinema. Rocky Balboa, um dos mais famosos exemplos de underdog na Cultura Pop, chegava aos cinemas com seu jeito inocente de encarar a vida e seu jeito estranho de lutar. Por esse filme Stallone foi o terceiro artista a ser indicado a um Oscar tanto por Roteiro quanto por Atuação em um mesmo ano, seguindo apenas Charles Chaplin e Orson Welles. Em Creed: Nascido para Lutar (Creed), o bastão é passado para o filho do maior rival e melhor amigo que o Garanhão Italiano já teve: o jovem Adonis Johnson.

Com base nas personagens criadas por Sylvester Stallone, o roteiro foi escrito por Aaron Covington e Ryan Coogler, também responsável pela direção. Entre os principais nomes do elenco, estão Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson e Phylicia Rashad. A fotografia foi dirigida por Maryse Alberti e os créditos pela trilha sonora vão para Ludwig Göransson.

Uma coisa especial sobre Creed: Nascido para Lutar é a compreensão de Ryan Coogler de que esta não é uma história de Rocky Balboa. Isso, como vamos percebendo durante todo o tempo, é muito importante para a identidade tanto do filme quanto do próprio protagonista. Logo, para quem espera ver mais um filme de Rocky Balboa, é importante que fique a seguinte mensagem: abra o seu coração para uma nova personagem, um novo ritmo e um novo estilo de filme. O querido e clássico Rocky, interpretado por Sylvester Stallone, aqui é apenas um lembrete de que o Garanhão Italiano, mesmo quarenta anos depois, ainda está lutando a boa luta.


Se o plano é fazer um filme novo, que não fique à sombra da franquia já estabelecida, chega a ser engraçado perceber, em certa parte do filme, como existe tanto trabalho empenhado em transformar Adonis (Michael B. Jordan) no novo Rocky. Só um pouco mais para a frente é que percebemos que, mesmo que a história pareça se repetir em certos aspectos, os temas e os valores abordados são outros, totalmente diferentes. É esse tipo de talento criativo para reimaginação, que faz de O Despertar da Força e, agora, Creed alguns dos filmes de franquias mais interessantes dos últimos anos.

Sendo um spin-off e, ao mesmo tempo, uma reinvenção, Creed não só se regula aos moldes da sociedade atual (com fotos na nuvem) como também aos do seu próprio protagonista. Ao passo que a Filadélfia suburbana de Rocky tinha certo romance caucasiano, a de Adonis é repleta de cultura negra (assim como o filme, em si). A maioria dos habitantes são afrodescendentes, o interesse romântico é uma cantora de hip hop negra com cabelos rastafari, e a luta (tanto como esporte, quanto como combate ou em um sentido mais figurativo) é presente desde cedo. Além de dizer muito sobre a reinvenção da franquia, diz muito sobre o próprio interesse cinematográfico de fazer um cinema mais inclusivo, o que começamos a ver surgir em Hollywood.

A excelente trilha sonora de Göransson representa esses dois conceitos de forma incrível. Ao entender que este não é um filme sobre Rocky Balboa, aproveita apenas alguns acordes da música que Bill Conti compôs para o Garanhão Italiano e dá uma nova identidade sonora, deixando o já conhecido tema reservado apenas para momentos em que Rocky está sozinho (e para uma cena específica, que chega a arrepiar). Além disso, também insere a black music em sua composição. As linhas da música se misturam com a batida do hip hop e até mesmo com uma mulher cantando ao fundo, fazendo a trilha percorrer o mesmo caminho que o protagonista.


A direção de Coogler é bastante inspiradora e surpreendente. A princípio, ao mostrar uma cena de luta filmada de fora do ringue, chega a causar a impressão de que o longa será frio e distante. Felizmente consegue fazer exatamente o oposto. Em parceria com a diretora de fotografia Maryse Alberti, que já teve experiência com cenas de luta em O LutadorCooler consegue fazer sequências incríveis dentro do ringue. Cada soco é sentido e cada reviravolta é comemorada. A impressão é de que aquela luta não só está acontecendo de verdade, mas que também está acontecendo em tela da melhor maneira possível.

Outro ponto muito importante em Creed é a performance dos artistas, principalmente da dupla principal. Michael B. Jordan é um garoto de talento visível, que interpretou papéis menores em sua carreira e agora deve deslanchar como ator. Sylvester Stallone, por outro lado, é um ator já presente em Hollywood há muito tempo, mas que ganhou mais prêmios relevantes por sua carreira e presença, do que por trabalhos pontuais. Esta é a segunda vez, desde 1976, que o ator tem chances reais em grandes premiações por sua atuação, coincidentemente pelo mesmo papel: Rocky Balboa.

Creed: Nascido para Lutar é muito mais que uma continuação de uma franquia que dura quarenta anos, e muito além do que um mero spin-off. O filme consegue ser as duas coisas, colocando dois atores e duas personagens em momentos totalmente diferentes de vida e carreira, mas mesmo assim mostrando o que há de comum entre os dois: a determinação e a paixão para se superar e vencer.
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