
SINOPSE
Life is Strange é um jogo episódico dividido em cinco partes
baseado nas conseqüências de escolhas do jogador, Nele somos apresentados a
Max, uma jovem que possui capacidades de voltar no tempo e, com isso, mudar vidas
além de resolver um mistério que permeia a cidade de Arcadia Bay.

"Nós éramos mais novos, éramos mais jovens"
Em meados de 2012, um
jogo diferente foi lançado. Misturando elementos de antigos point-and-click,
chegou ao mercado um jogo com formato peculiar, mesmo que o estúdio responsável
já tivesse se arriscado com outras formulas do gênero mencionado. Foi em The Walking
Dead que o sucesso tornou famoso o nome da (até então) indie TellTale. Nos jogos dessa desenvolvedora, a história é tão importante
quanto a narrativa ou a jogabilidade e, mesmo ao utilizar franquias famosas
entre o publico, a originalidade e o desenvolver de suas histórias transformam
a experiência em algo único e cativante. A tomada de decisões é o foco
principal das mecânicas e o formato episódico torna a experiência tão cativante
quanto as séries de TV. Em uma época em que a indústria de videogames vagava entre
sequências deslumbrantes de ação e jogos pequenos com uma história
minimamente expositiva, The Walking Dead reinventou o gênero point and click e
trouxe o mais puro e humano passeio emocional que os jogos podem oferecer.
Com tudo isso apresentado, chegamos a 2015, quando a
desenvolvedora Dontnod lançou o jogo Life is Strange. Em um momento em
que a própria TellTale já havia espremido cada gota de sua reinvenção, a
desenvolvedora francesa, junto a SquareEnix, disponibilizaram uma história totalmente
original que, aproveitando a mecânica de escolhas, inseriu a possibilidade de refazer suas decisões mantendo suas devidas
consequências.

Durante o espaço de tempo entre o lançamento de cada
episodio - aqui reitero que Life is Strange segue o formato episódico, foram 5
episódios, com duração média de 1h30min -, acompanhei pela internet a
reação da comunidade e me surpreendi ao perceber que o jogo alcançou pessoas
que não são habituadas com videogames. Acredito que, devido aos temas atuais e
pela excelente inserção de elementos da cultura pop, o jogo atraiu um publico
diversificado e, na sua maioria, mulheres. Acompanhei o publico e sua reação, tanto pelo twitter quanto pelo youtube, e foi na plataforma de videos que pude
perceber que a história do jogo cativou o publico de tal forma que parte dos
entusiastas apenas participaram da experiência como espectadores.

O jogo trata da volta de Maxine à sua cidade natal e seu
ingresso no curso de fotografia na Academia Blackwell. Somos inseridos em sua
perspectiva a partir do momento em que ela percebe ter a capacidade de voltar
no tempo – o que insere a mecânica de rebobinar ações e escolhas do jogador. Nessa situação, Maxine se encontra uma sua amiga de infância, Chloe, que
literalmente vive seus últimos segundos de vida. A partir desse momento, o jogo
segue uma linha do tempo em que as duas personagens compartilham a mais bela
relação de amizade que já vi nos videogames.
Penso que são os temas abordados no jogo que o tornam algo
tão singular e especial. Foram situações em que o jogador precisou lidar com o
abuso sofrido por uma amiga que é vitima de vazamento de fotos intimas e constrangedoras na internet. Aquele momento quando
somos impactados pela vida adulta ou até mesmo os perigos de armas de fogo.
Acima desses temas abordados, existe a sutileza com que são tratados, pois não
há forçação de barra pra levantar discussões atuais, já que, se não forem
inseridas de forma delicada dentro de um conteúdo de entretenimento, a sensação
que temos é a de ler um textão no facebook.

Dentro de todos esses pormenores, a DontNod também encaixou
uma trilha sonora que casa com cada momento impactante do jogo. Composta por
bandas e grupos de renome, as musicas interagem com o clima jovem do jogo e
elevam, por diversas vezes, situações melancólicas e divertidas da história, tornando inclusive encerramentos dignos de lágrimas para o espectador/jogador.
Talvez, acima de cada ponto forte de Life is Strange, esteja a
simplicidade com que transforma um jogo sobre o cotidiano jovem em algo que nos
envolve e nos torna parte de algo que é a simples força da amizade entre uma
garota comum e uma punk que acredita ser a mais azarada da região. Com isso,
vários momentos do jogo tratam as peculiaridades da juventude, além da
possibilidade de, no papel de Max, transformar vidas em seus momentos mais
trágicos. Sim! Life is Strange é um jogo impactante e, sim, é recomendável para
qualquer um que deseje algo fora dos padrões enlatados da industria de
videogames.
